A Liberdade em São João da Cruz

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               Para montarmos o quebra-cabeça afim de apresentar o pensamento de São João da Cruz a respeito da liberdade precisamos encaixar corretamente três peças essências: apetites (apegos), noite escura, união com Deus. Para João da Cruz o horizonte último do ser humano é essa união com Deus, que no Livro Chama Viva de Amor ganha expressões tão forte como “transformação da alma em Deus”. Importante salientar, desde o começo, que o artífice que permite e dinamiza essa união é o amor. A pessoa inicia esse processo, quando “inflamada de amor” se destina a buscar essa união, é próprio do amor buscar a união.

            Aqui emerge uma pergunta bem concreta: como posso fazer para chegar a essa divina união? Emerge aqui a extensa doutrina do Doutor Místico sobre a noite escura. A noite escura é um processo de libertação da pessoa para chegar a essa divina união. É, portanto, um processo purificador, onde se cura duas dimensões do ser humano, sua dimensão sensitiva (sentidos) e a espiritual. Assim, podemos compreender a noite como um presente de Deus, uma ação da graça de Deus, que visa libertar a pessoa da desordem de seus apetites.

            No pensamento sanjuanista os apetites são os apegos ou desejos ou adiciones. Eles são constitutivos do ser humano (desejar), porém em um estado desordenado nos impedem de ser verdadeiramente livres. O que propõem João da Cruz é a educação ao desejo, daí suas máximas: “não ao mais fácil, senão ao mais difícil. Não ao mais saboroso, senão ao mais insípido. Não ao mais agradável, senão ao mais desagradável…”. Nesse sentido se torna mais compreensível a negação em São João da Cruz. O caminho do nada é um caminho pedagógico e historicamente limitado e relativo. É um caminho de educação da vontade, buscando o desapego.

          O desapego não está em ter ou não ter as coisas. O problema está no “apego”, que poderíamos traduzir como “amor de propriedade”. O apego é manifestação do nosso egoísmo que retém para si. Nesse sentido João da Cruz associa os nossos apegos aos falsos deuses, eles eclipsam o lugar do Deus verdadeiro, por isso precisam ser “hechados fuera”. A liberdade que provém desse processo é a condição necessária para alcançarmos a divina união com Deus.

 

Publicado por Seculares Contemplativos

Uma pequena gota de água imersa no mar, assim se define o Secular Contemplativo imerso no amor de Deus.

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